“Toda e qualquer batalha, se lutada sozinha, demandará muito mais esforço e poderemos até não conseguir. Quando nos unimos, a probabilidade do sucesso em tempo recorde é fato inequívoco.” É assim que a desembargadora Maria Helena Póvoas, vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, define a importância da união feminina em prol das lutas de defesa dos direitos das mulheres neste dia 8 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.

Esse movimento de união recentemente ganhou o nome de ‘sororidade’, uma palavra ainda não dicionarizada, mas que já representa uma grande causa. O termo foi o 5º mais pesquisado no Google em 2017, de acordo com oGoogle Trends. De origem latina, soror significa irmã, enquanto idade significa estado ou qualidade. Juntas é como se formassem o feminino de fraternidade. A sororidade visa à aliança, cumplicidade e empatia entre as mulheres na busca de um mesmo objetivo, como a luta pela não violência de gênero, pela igualdade de direitos sociais e profissionais, e também pelo direito de ser e agir como ela quiser, sem o julgamento do ponto de vista patriarcal.

Um exemplo bem clássico de sororidade são as lutas conjuntas e os consequentes avanços das mulheres no campo profissional. “As mulheres de anos atrás sofriam restrições profissionais em determinadas áreas. Hoje, está diferente, e podemos navegar com facilidade por vários mares. Um exemplo é a própria magistratura, profissão em que as mulheres demonstraram grande aptidão, comprometimento com a toga e trabalho realizado com muita determinação, amor e entrega”, afirma Maria Helena.

Nesse sentido, atualmente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso contabiliza 30% de mulheres entre os desembargadores, ou seja, dentre as 30 cadeiras existentes, atualmente, nove são ocupadas por mulheres. Além da desembargadora Maria Helena, atuam também as desembargadoras Clarice Claudino da Silva, Maria Erotides Kneip, Marilsen Andrade Addario, Maria Aparecida Ribeiro, Serly Marcondes Alves, Nilza Maria Pôssas de Carvalho, Antônia Siqueira Gonçalves e Helena Maria Bezerra Ramos.

A jornalista e ativista da frente ‘Mulheres na Luta’, Priscila Mendes, destaca que a sororidade tem também o objetivo de empoderar as mulheres e mostrar a necessidade de elas se protegerem. “A intenção da união é ajudar uma às outras, pois existem demandas específicas de desrespeito às mulheres e seus direitos, que elas conseguem verificar e entender a importância. Por exemplo, havia a cultura em que a importunação sexual era interpretada como flerte, mas era preciso entender que aquilo que não é consentido não é flerte, é violência. E agora é crime previsto em lei. E as mulheres precisam se unir nessa divulgação.”

Ela ressalta ainda que o movimento também prevê que as mulheres devem se ajudar para conquistar espaços profissionaisComo exemplo, ela cita a contratação de uma fotógrafa para uma festa ou uma motorista para levar os filhos na escola. “É importante ressaltar que a sororidade não busca o alijamento do homem do mundo feminino. O objetivo é mudar a cultura para que todos saibam que as mulheres são competentes e oportunizem a elas mais espaços profissionais e intelectuais, ou seja, direitos e oportunidades que os homens já têm.”

A procuradora Gabriela Novis chegou à chefia da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso em 2018 e sempre vivenciou o conceito da sororidade ao longo de sua trajetória profissional, em busca da participação feminina em cargos importantes na vida pública como uma conquista que ultrapassa o âmbito individual e passa a ser de todas as mulheres.

“Uma mulher no poder senta naquela cadeira representando todas as mulheres. É uma motivação para o despertar de uma luta para todas, de ter o lugar de fala que geralmente não nos é dado. Senti na pele que as mulheres precisam de mais união, uma ajudar a outra, porque não é fácil para uma mulher chegar a um cargo de poder. Para isso, precisa que as outras incentivem, sejam solidárias. Dessa forma, vai contagiando outras mulheres a ocupar espaços relevantes”, defende.

No Dia da Mulher, Gabriela Novis, que já palestrou sobre o tema sororidade, deixa a reflexão de que quando uma mulher ajuda a outra a enxergar que não é preciso aceitar tudo, ela cria um ambiente de não desistir e, por efeito, uma atitude de resistência. E, então, quando se unem e fazem disso o seu universo, elas realizam, difundem e dão consistência ao ato de resistir juntas.

Redação Cuiabahoje

Por; Keila Maressa e Mylena Petrucelli/ TJMT