Pesquisadores ouvidos pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados não descartam o risco de novos casos de microcefalia causados por Zika vírus no País. Eles apontam que a gravidade dos casos registrados, principalmente no nordeste, tem relação com a bactéria saxitoxina (que se reproduz na água) associada à dengue e à desnutrição. O tema foi debatido em Audiência Pública, nesta segunda-feira (11.11), convocada pelo deputado federal Dr. Leonardo (Solidariedade-MT).

“Essa é uma situação preocupante. No começo do ano encaminhei requerimento ao ministro da Saúde pedindo informações sobre a atuação ao combate à Dengue, Zika e Chikungunya no estado de Mato Grosso. Dentro desse contexto de prevenção, acredito que o Ministério da Saúde precisa discutir melhor a quantidade dita segura de cianobactérias na água fornecida à população. Precisamos encontrar uma forma de evitar que mais bebês nasçam com microcefalia por causa da zika”, justificou Dr. Leonardo.

Mesmo após quatro anos da epidemia de zika, o Brasil continua com índices de incidência de microcefalia acima dos níveis mundiais nas regiões Nordeste, Centro-oeste e Sudeste. Em 2018, a cidade de Belo Vale, em Minas Gerais, registrou 50 casos por 10 mil habitantes, enquanto no restante do mundo esse índice é de dois casos por 10 mil.

Para o pesquisador em microbiologia celular Flávio Lara, os fatores responsáveis pela gravidade dos casos de microcefalia ainda não foram sanados e podem voltar a ocorrer. “A saxitoxina provavelmente é um deles, restrição proteica também, a desnutrição”, enumerou. Lara afirmou que o próximo passo da pesquisa é identificar fatores ambientais que contribuem para maior incidência de dengue e zica no nordeste. “Fatores evitáveis para a gente poder se preparar para uma possível futura epidemia de zika na região”.

Saneamento – Professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Renato Molica considera as condições de saneamento no País mais um agravante. Ele lembra que no Brasil apenas 52% do esgoto são coletados e desse total somente 46% são tratados, o que leva a condições ideais para a reprodução da saxitoxina, bactéria que não é retirada da água através do processo de tratamento atual.

A coordenadora geral de vigilância em saúde ambiental do Ministério da Saúde, Thais Cavendish, explicou que já existe um protocolo de tratamento da água potável que é atualizado a cada cinco anos, mas reconhece que os níveis de saneamento no Brasil ainda são muito baixos, dificultando esse controle.

Para o deputado Dr. Leonardo, a pesquisa demonstra que a situação é preocupante. “Demonstra a necessidade de mais recursos em pesquisa e de ampliar a discussão social, isso é papel da Câmara”, destacou.

Com informações da Agência Câmara Notícias

 

Jardel P. Arruda
Assessoria de Imprensa