A identificação genética a partir do confronto entre o material coletado de vítimas de violência sexual de Mato Grosso e do suspeito pelo crime, ocorrida em 2016, figurou em terceiro lugar como um dos casos mais emblemáticos do mundo. O reconhecimento é de um importante concurso internacional, denominado DNA Hit Of The Year.  O Brasil concorreu com 17 finalistas de quatro países.

O caso premiado foi o primeiro confronto positivo de DNA realizado através do Banco de Perfis Genéticos, que cruzou os dados do perfil do suspeito, coletado em vítimas no Mato Grosso, com os materiais coletados em outras vítimas nos estados de Goiás e Manaus.

O acusado foi identificado como Célio Roberto Rodrigues, que também utilizava o nome de Herley Nascimento Santos. Enquanto esteve foragido em Mato Grosso, ele cometeu quatro estupros com o mesmo modo de atuação. O primeiro foi em 2013 e outros três em 2015, nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

Na ocasião, as informações genéticas de vestígios coletados nas vítimas foram confrontadas com o perfil de DNA do suspeito, a pedido da Delegacia de Defesa da Mulher, e tiveram resultado positivo.

Conforme a administradora estadual do Banco de Perfis Genéticos em Mato Grosso, perita criminal Ana Cristina Lepinsk Romio, foi o primeiro registro de crime sexual serial solucionado pelo cruzamento de informações genéticas com outro Estado. “Com a prisão do acusado em Rondônia, a delegada Eliane Moraes se deslocou até o Estado para acompanhar a coleta de material genético do suspeito e encaminhá-lo para a perícia, juntamente com a indicação dos casos em que houve o mesmo modus operandi”, explicou.

A partir de então, o Laboratório Forense da Politec de Mato Grosso começou a separar, processar e comparar as amostras padrão – coletada do suspeito com is vestígios, coletados nas vítimas dos estupros ocorridos em Mato Grosso.  Dois meses depois, as provas de que os crimes foram cometidos pelo mesmo autor começaram a ser confirmadas.

O passo seguinte, segundo a perita, foi inserir os perfis dos vestígios no Codis (sistema de indexação de DNA), e realizar as buscas no banco de dados nos estados que fazem parte da Rede Nacional de Banco de Perfis Genéticos, para localizar possíveis vestígios de outros crimes cometidos pelo mesmo suspeito. “As amostras de DNA estão custodiadas pela Politec, mas os crimes não estão esquecidos. É um trabalho silencioso e integrado que está dando respostas’’, comentou.

De 2015 a 2018, a Coordenadoria de Perícias de Biologia Molecular da Politec inseriu 153 perfis genéticos, de restos mortais não identificados, de vestígios de local de crime, de crimes sexuais e amostras de referência de pessoas desaparecidas.

Entenda o caso

Entre os anos de 2012 e 2015, várias mulheres foram violentadas nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Goiás. O agressor tinha o costume de agir sempre da mesma maneira e mudava constantemente de cidade. Em 2015, o criminoso foi preso em Rondônia após cometer roubos e um estupro.

O material biológico dele foi coletado e seu perfil foi comparado com outros casos investigados no estado vizinho de Mato Grosso. A comparação imediatamente confirmou o envolvimento do suspeito em quatro estupros.

Quando os perfis genéticos dos vestígios foram enviados para o Banco Nacional, novas compatibilidades foram encontradas com três perfis inseridos pelo banco de dados do estado do Amazonas. Em fevereiro de 2018, analisando amostras coletadas de duas vítimas de estupros na cidade de Goiânia, o laboratório de DNA de Goiás obteve dois perfis genéticos semelhantes. Atualmente, o estuprador em série está sendo investigado por abuso sexual de mais de 50 vítimas.

Prêmio

A comissão julgadora elogiou o crescimento do Brasil na atuação envolvendo os bancos de dados de perfis genéticos e ressaltou a importância de dar continuidade aos projetos de coleta de condenados e de processamento de amostras de crimes sexuais.

DNA Hit Of The Year é um programa global projetado para reconhecer o valor da tecnologia de banco de dados de DNA para resolver e prevenir o crime.

Através da avaliação de casos de acerto de bases de dados de DNA, o prêmio pretende trazer reconhecimento à dedicação e o trabalho de cientistas de DNA e investigadores criminais que usam bancos de dados de DNA para levar justiça às vítimas do crime.

(Com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública)