31/10/2018 – Eleito deputado estadual com 22,7 mil votos, sendo o mais votado em Cuiabá, o médico Lúdio Cabral (PT) afirmou que a primeira medida que tomará assim que assumir o cargo será apresentar um projeto de Emenda Constitucional revogando a emenda do Teto de Gastos.

A medida tomada pela gestão Pedro Taques (PSDB) congela por cinco anos as despesas da máquina pública, inclusive dos setores como Saúde, Segurança e Educação. Contudo, Mato Grosso deixa de pagar pouco mais de R$ 1 bilhão de sua dívida pelos próximos três anos.

Segundo o petista, setores como Saúde e Segurança necessitam de investimentos urgentes. Ele citou como exemplo a necessidade de se realizar concurso público na Saúde.

“O argumento do teto é para conter as despesas, mas quais despesas? Porque temos uma crise na Saúde que é concreta. Temos a necessidade de melhorar a Educação. Temos que investir em Segurança Pública. Como vamos fazer isso se não tem ampliação de recursos?”, questionou.

“Essa emenda é voltada para conter gastos nessas áreas que, para mim não são gastos, são investimentos. Se quiser reduzir gasto com cargo comissionado, com apadrinhamento político, tem nosso apoio. Mas reduzir gastos na Saúde, não dá”, afirmou.

Lúdio explicou que buscará a assinatura de, no mínimo, 30 mil pessoas e apresentará como um projeto de iniciativa popular. Para o petista, o Executivo precisa focar no aumento de receita, como a taxação do agronegócio.

“O problema da suposta crise do Estado não está nas despesas, está na receita, na gestão do orçamento, porque precisamos enfrentar os privilégios de uma parcela minoritária do poderio econômico do Estado”, disse.

“Precisamos de uma reforma tributária para aliviar os pequenos comerciantes e mudar o modelo de desenvolvimento econômico do Estado para cobrar tributos da grande produção agrícola. Não pode ser apenas exportação. Tem que haver mecanismos para estimular gradativamente a industrialização dessa produção, para gerar arrecadação, gerar emprego, distribuir a riqueza que hoje está concentrada nas mãos de poucos. E essa grande produção tem que ser taxada”, afirmou. Esta crise do Estado não está nas despesas, está na receita, na gestão do orçamento

Oposição

 

O petista afirmou que fará oposição à gestão do governador eleito Mauro Mendes (DEM). O PT esteve na coligação do candidato derrotado Wellington Fagundes (PR) na eleição deste ano.

Além disso, Lúdio e Mauro foram rivais na eleição de 2012, quando disputaram a Prefeitura de Cuiabá. Foram ao segundo turno e Mendes venceu.

“O que está claro é que o PT fará uma oposição ao próximo governador, que será crítica, sistemática, por conta do nosso compromisso com os direitos dos trabalhadores, dos pequenos. Mas será uma oposição propositiva”, explicou.

 

Apesar de se colocar na oposição, Lúdio disse concordar com alguns pontos já propostos por Mendes. Um deles é a manutenção do novo Fundo Estadual de Transporte e Habitação, o chamado Fethab 2.

 

O petista, porém, mantém cautela em relação ao democrata e disse esperar que o governador eleito apresente medidas concretas para se posicionar.

 

“O Fethab tem que manter e precisamos fazer esse debate mais profundo da reforma tributária, para que os grandes possam contribuir mais com o Estado. Na minha leitura, se o próximo governador focar no enfrentamento dessa suposta crise só pelo caminho da despesa, estará destinado ao fracasso”, disse.

 

“Vamos ser oposição, mas depende das medidas concretas que ele irá apresentar. Ele ainda não apresentou nenhuma medida concreta. Nós entendemos que a tal crise financeira do Estado se resolve pelo lado da receita. Na despesa, queremos revogar a emenda do Teto de Gastos. Se o governador propuser isso, vamos estar sintonizados. Senão, terá enfrentamento”, completou. Por; DOUGLAS TRIELLI – MidiaNews / Foto; Reprodução