São Paulo, 15 de outubro de 2019 — Uma pesquisa global realizada pelo escritório Baker McKenzie e Oxford Economics, em cooperação estratégica com Trench Rossi Watanabe, aponta o ano de 2020 como ainda tímido em relação ao volume de fusões e aquisições e ofertas públicas iniciais de ações no Brasil. A previsão é de redução de aproximadamente 9% em fusões e aquisições no período em relação a 2019. Em termos de valor, a movimentação representará uma queda de US$ 40,4 bilhões nesse ano para R$ 37 bilhões no ano que vem. No que se refere a IPOs, o estudo indica redução de 32% em valores negociados, saindo de US$ 1,46 bilhão em 2019 para US$ 1 bilhão em 2020.

De acordo com Lara Schwartzmann, sócia do Trench Rossi Watanabe, “a expectativa de aprovação de importantes reformas para endereçar o déficit fiscal e propiciar um ambiente de negócios mais favorável no país vem impactando positivamente as transações no Brasil. Contudo, as turbulências políticas e econômicas pelas quais os países da América Latina passam afetaram a decisão de investidores estrangeiros que buscavam evitar os riscos de investir no mercado nacional”, comenta.

A advogada explica, ainda, que o estudo não considera alguns IPOs de companhias brasileiras em andamento, o que aumentaria os índices da pesquisa e mostraria uma movimentação mais favorável.

A pesquisa, no entanto, revela um cenário mais promissor no biênio 2021-22, com a expectativa de recuperação econômica no país em que o valor das fusões e aquisições deve superar, respectivamente, os US$ 40 bilhões e os US$ 47 bilhões. “A tendência é que a economia brasileira se recupere gradativamente conforme importantes reformas, como a da previdência e subsequentemente a tributária, sejam aprovadas, refletindo em um aumento a curto e médio prazo no volume das transações”, afirma Lara.

Transações caem globalmente

O estudo também aponta que é esperada uma queda nas fusões e aquisições em todo mundo. A média global de redução de 2019 para 2020 em fusões e aquisições é estimada em 25% — variação de US$ 2,8 trilhões para US$ 2,1 trilhões. Os IPOs também sofrerão impacto importante no período, uma queda de 23%, indo de US$ 152 bilhões para US$ 116 bilhões, se descontados os efeitos da potencial listagem da Saudi Aramco, que representará um grande volume financeiro, porém pontual.

Segundo Lara, “os principais motivos para esse cenário são as incertezas advindas da guerra comercial entre EUA e China, e uma economia global em desaceleração. No entanto, as operações de fusões, aquisições e IPOs continuam sendo uma importante estratégia de crescimento para empresas globalmente e esperamos que as condições econômicas melhorem a partir de 2021”.

Por; Cauê Rebouças/ Assessoria