03/12/2018 – Ritual cotidiano dos grupos tradicionais no Brasil, o pedido da benção e as respostas nos gestos e palavras ungem especialmente as crianças, ainda que muitos adultos seguem reproduzindo o ritual a vida toda, junto aos mais velhos. Gestos e falas que pedem e que respondem pela benção, em muitas variações, asseguram um compromisso de proteção na vida em comunidade, no espaço da família ampliada, em que todos participam e se responsabilizam pelos cuidados dos pequenos. Ao ser abençoada, a criança sai porta afora investida de coragem para o enfrentamento do dia e do mundo.

 

Ao consagrar esta exposição à rememoração desse ritual de proteção, os artistas Gilda Portella, Karla Mesquita, Célia Soares, Eder Marques, João Almeida, Hermínio Nhantumbo e Lindalva Alves aqui reunidos celebram várias práticas ao mesmo tempo, sob o signo da benção. Práticas religiosas de salvaguarda, práticas de cura que combinam empiria e metafísica, práticas familiares de proteção, entre outras. A benção, em qualquer circunstância, é bálsamo para sofrimentos.

 

Se há pouco espaço (e, principalmente, sentido), nos dias de hoje, para dar continuidade ritual a muitas dessas práticas, talvez seja o museu, o espaço adequado (ou o que nos resta) para celebrar a vida em comum, sob a égide dos afetos felizes que ampliam nossa potência de agir, que nos dão coragem e armas para impedir que a noite, que hoje nos ameaça, se abata sobre nós. Bença mãe, bença pai, bença vó! [1]

 

A Exposição Bença sinaliza homenagens e inspirações, para a Vó Maria, Vó Francisca, Vó Chica e Vó Betinha, matriarcas que proferem bença sem olhar a quem, portanto, avós universais. A coletiva segue de 03 de Dezembro de 2018, a partir das 19 horas no Centro Cultural da Casa Cuiabana, com visitação até 31 Janeiro de 2019, das  13h às 19h. Informações: (65)3624-2064

 

Por : Ludmila Brandão – è membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte –
ABCA e Curadora do Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT (MACP/UFMT)