31/01/2017 – Atualmente, o Brasil está enfrentando um momento delicado por causa do surto de febre amarela. Dados do Ministério da Saúde confirmam que, neste ano, a enfermidade atingiu o maior número de vítimas desde 1980, registrando mais de 80 ocorrências, sendo quase metade delas fatais. O Estado de Minas Gerais é o que está mais vulnerável à doença, concentrando quase a totalidade dos casos e pondo em alerta os Estados vizinhos.

Além dos números registrados serem altos, outro problema que preocupa analistas e a população é o fato do surto estar em rápida expansão. Há, até o momento, cerca de 423 casos com suspeita de febre amarela no País, o que torna o combate à doença um grande desafio para os brasileiros em 2017.

Dentro desse contexto, lembramos as vezes em que o Brasil atuou para combater e prevenir uma série de enfermidades, algumas das quais foram erradicadas e outras que ainda desafiam a comunidade científica em busca da sua prevenção ou eliminação total.

Um dos episódios mais célebres da história da saúde pública brasileira foi a Revolta da Vacina, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1904. Com o intuito de conter uma epidemia de varíola no município, uma Lei Federal permitiu que brigadas sanitárias, acompanhadas por policiais, invadissem casas e aplicassem a vacina nos moradores à força. A campanha de vacinação obrigatória, comandada pelo médico sanitarista Dr. Oswaldo Cruz, gerou um grande descontentamento popular, acima de tudo, com a parcela mais pobre da população, que carecia de informação sobre a doença e seus métodos de prevenção.

A Revolta, resultante da reação popular, durou sete dias (de 10 e 16 de novembro de 1904) e teve razões concretas – entre as medidas sanitárias, cortiços foram destruídos, e os moradores, obrigados a se mudar para morros e periferias, incluindo a invasão aos domicílios. O Moinho Fluminense (da Bunge) foi “pano de fundo” desta revolta, pois a população montou barricadas em frente ao estabelecimento em ato contra a vacinação obrigatória. Esse conflito urbano terminou com a cidade destruída, deixando mortos, feridos e centenas de presos.

O movimento popular acabou fazendo com que o Governo Federal, naquela época, suspendesse temporariamente a campanha, dando prosseguimento a ela após situação ficar sob controle. Em pouco tempo, a epidemia de varíola havia sido erradicada da cidade do Rio de Janeiro.

Vale ainda lembrar que, anos depois, em 1909, o médico Oswaldo Cruz, que comandou a campanha, esteve também à frente de um programa de combate à febre amarela no Estado do Pará, que contou com a participação do entomologista, médico e pesquisador Ângelo Moreira da Costa Lima, que ficou conhecido ao fazer uma série de observações no Estado sobre a biologia dos mosquitos transmissores, especialmente, do Aedes Aegypti, que ainda hoje desafia o mundo como transmissor de doenças como a Dengue, Zika e Chikungunya. Ângelo foi um pioneiro em pesquisas sobre o Aedes Aegypti e os seus esforços pelo trabalho fez com que ele fosse o primeiro contemplado pelo Prêmio Fundação Bunge, em 1956.

Observa-se que, daquela época até então, o Brasil aprendeu lições básicas sobre campanhas de vacinação, principalmente na forma de divulgá-las. A partir dos anos 1970, a utilização de vasto material informativo, como cartazes, folhetos e manuais; a adesão de celebridades às campanhas em TV e rádio; a criação dos Dias Nacionais de Vacinação e do personagem Zé Gotinha; tudo isso ajudou o País a erradicar a varíola e a poliomielite, além de controlar doenças como febre amarela, sarampo e rubéola.

As campanhas impressas e eletrônicas contam ainda com a ajuda da internet, ferramenta importante de informação e conscientização para a população combater as enfermidades e/ou prevenir que elas vitimem as pessoas. No entanto, também é verdade que é preciso ter cuidado com boatos e rumores descabíeis que circulam no meio digital, pondo em atraso o avanço da saúde pública do Brasil.

 

Fonte; CDN Comunicação